O sonho acabou
E só assim saímos de dentro da terra em direção ao sol

Quando chegou o momento de abrir os olhos
e despertamos acesos do incrível sono
pisamos e tocamos na sala de esmeraldas
onde ficam as cápsulas
que se ligam aos tubos
do sistema de raízes
da nossa respiração.

Dava pra ver sobre as coisas
pedaços brilhantes dos casulos rasgados
e através do chão da sala de pedra translúcida
o movimento denso de rochas derretidas.

Como esquecer?

Entramos rápidos nos dutos construídos por nossos antepassados
Gravado na nossa alma ( nos nossos sonhos )
o mapa dos túneis secretos
Chegamos num ponto onde era necessário iluminar o caminho
Ligamos as lanternas dos nossos chakras
e seguimos florescentes
entre seixos multicoloridos
nas camadas empilhadas de antigos desertos

Quando começamos a sentir as ondas de luzes do campo aberto
e o cheiro dos bichos, das plantas, das coisas, da casa de cima
todas as lanternas foram apagadas
e andávamos iluminados por raios
que atravessavam as paredes de pedra, areia e raízes

Renascemos assim
subimos num feixe e saímos duma fenda
Mergulhamos num céu redondo
entre montanhas desiguais
Quase caímos, na visão radiante que girou
O mundo agora é esse!
Um encontro está marcado pra saber do caminho
Precisamos falar com a filha do vento
a que chamam: Liberdade.